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Credita-se ao periódico a contribuição de apresentar ao público estadunidense os principais expoentes do debate teórico europeu e, além disso, de estabelecer um debate crítico mais consolidado nos Estados Unidos. As páginas da revista e as atividades do IAUS foram o ambiente onde figuras como Aldo Rossi, Manfredo Tafuri e Rafael Moneo foram inicialmente apresentadas ao público dos Estados Unidos. Também se constituiu como uma importante arena para o debate Whites vs Grays e, antes que se estabelecesse uma cisão mais evidente entre os dois grupos, membros tanto dos "Brancos" quanto dos "Cinzentos" tiveram seus textos publicados e obras analisadas nas edições da revista.
Os editores mantiveram contato estreito com outras revistas internacionais, a exemplo de Casabella, ArquitecturasBis e Lotus, uma situação que já vinha sendo consolidada desde o final dos anos 1960, com a participação de Eisenman na Aspen Design Conference (1967) e nos "Pequeños Congresos", onde se reuniram editores de revistas de arquitetura. O IAUS também foi responsável pelo jornal Skyline, que servia como um noticiário das atividades do Instituto, de seus membros e principais financiadores; e participou da criação da revista October, mais voltada para teoria e crítica de arte e com equipe editorial autônoma. Em 1978 foi criado o selo Oppositions Books, junto à editora The MIT Press, através do qual foram publicadas obras contemporâneas e textos referenciais do começo do século XX, de autores como Aldo Rossi, Alan Colquhoun, Moisei Ginzburg e Adolf Loos.
A irregularidade na publicação da revista se acentuou nos seus últimos anos, acentuada pelos fatores que levaram ao fechamento do IAUS como um todo. Em 1998, Kenneth Michael Hays organizou o livro "Oppositions Reader", uma antologia com os mais destacados artigos publicados na revista. Os arquivos de Oppositions - que incluem os ensaios, cartas, negativos e material fotográfico, dentre outros documentos - fazem parte do acervo do Canadian Centre for Architecture, junto ao acervo geral do IAUS.
COLOMINA, Beatriz; BUCKLEY, Craig (Ed.). Clip, stamp, fold: the radical architecture of little magazines, 196X-197X. Barcelona; Nova York: Actar, 2010.
HAYS, Kenneth Michael (Ed.). Oppositions reader: selected readings from a journal for ideas and criticism in architecture 1973-1984. Nova York: Princeton Architectural Press, 1998.
OCKMAN, Joan. Resurrecting the avant-garde: the history and program of Oppositions. In: COLOMINA, Beatriz (Ed.). ArchitectuReProduction. Nova York: Princeton Architectural Press, 1988. p. 181-199.
THE CANADIAN CENTRE FOR ARCHITECTURE. The Institute for Architecture and Urban Studies fonds. [Apresentação e descrição do acervo]. 2016. Disponível em: <www.cca.qc.ca>. Acesso em: 30 nov. 2016.
Peter Eisenman, Kenneth Frampton e Mario Gandelsonas, 1973:
"OPPOSITIONS é uma tentativa de estabelecer uma nova arena para o discurso arquitetônico, na qual será empreendido um esforço consistente para se discutir e desenvolver noções específicas sobre a natureza da arquitetura e do design em relação ao mundo fabricado pelo homem. É comum entre nós a convicção de que uma obra realmente criativa dependa de tal extensão da consciência. [...]"
"OPPOSITIONS dirigir-se-á à evolução de novos modelos de teoria da arquitetura. Buscará relacionar tais modelos a edifícios e teorias específicas que, em nossa opinião, ou afirmem diretamente ou evoquem implicitamente a existência de tais modelos. Nós não vamos, com isso, restringir nosso discurso apenas às obras mais recentes. Ao contrário, tentaremos vincular o presente ao passado para avaliar a contribuição geral de grandes indivíduos e movimentos que ainda hoje têm relevância. Nossas posições editoriais virão para tentar criar um ambiente intelectual onde ideias e ações são vistas como sendo necessariamente complementares a qualquer cultura arquitetônica vital."
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"OPPOSITIONS is an attempt to establish a new arena for architectural discourse in which consistent effort will be made to discuss and develop specific notions about the nature of architecture and design in relation to the man-made world. It is our joint belief that truly creative work depends upon such an extension of consciousness. [...]"
"OPPOSITIONS will address itself to the evolution of new models for a theory of architecture. It will attempt to relate such models to specific buildings and theories which, in our opinion, either directly state of implicitly evoke the existence of such models. We will not, in all this, restrict our discourse to the very latest work. On the contrary, we will attempt to link the present to the past to assess the overall contribution of major individuals and movements which still have relevance today. Our editorial positions will be to attempt to create a climate of opinion where ideas and action are seen as being necessarily complementary to any vital architectural culture."
EISENMAN, Peter; FRAMPTON, Kenneth; GANDELSONAS, Mario. Editorial statement. Oppositions, Nova York, n. 1, set. 1973, tradução nossa.
"AB Posso interromper? Fiquei me perguntando se você poderia falar sobre os vários estágios pelos quais passou o instituto.
PE Vou tentar. Começamos com a ideia de trazer estudantes de pós-graduação de Cornell para Nova York, os alunos de urbanismo de Colin Rowe. A ideia era oferecer a eles um ano em Nova York, trabalhando em projetos reais. [...]" [p. 156]
"[PE] E também temos uma revista, que estamos usando para tentar desenvolver um discurso de nível internacional, e para enxergar a arquitetura como um veículo crítico. Além disso, todos nós queremos muito continuar com o nosso próprio trabalho. Mais que uma parceira, somos núcleos individuais dentro de uma estrutura total. Nós saímos e buscamos nosso próprio dinheiro e nosso próprio financiamento para fazer projetos específicos, sejam seles pesquisa em semiologia ou em habitação, a construção propriamente dita de um conjunto habitacional, uma casa individual, ou a escrita de um livro. isso, portanto, descreve o amplo espectro de atividades do instituto." [p. 159]
EISENMAN, Peter; BOYARSKY, Alvin. O instituto na teoria e na prática: Peter Eisenman. Mediado por Alvin Boyarsky. Estúdio de televisão da AA, Londres, 20 de janeiro de 1975. In: EISENMAN, Peter et al. Supercrítico: Peter Eisenman, Rem Koolhaas. São Paulo: Cosac Naify, 2013. p. 151-159.
"Outra indicação de seu caráter relativamente isolado é a revista Oppositions, a Journal for Ideas and Criticism in Architecture, que o IAUS lançou em 1973 sob a direção conjunta de Eisenman, Frampton e o argentino Mario Gandelsonas. Única de seu tipo no campo da arquitetura estadunidense, ela representa a antítese à imprensa profissional exemplificada pelas Architectural Record e Progressive Architecture; e pela antiga Forum e a atual Plus, ambas de Peter Blake. Os editores, particularmente Frampton, com seus muitos anos de experiência como editor e colaborador da Architectural Design (Londres) e sua posição ideológica bem definida, desenvolvida em vários artigos (ver seu editorial em Oppositions 4), tentaram elevar o discurso para além de uma apresentação simples e acrítica do que a indústria da construção vem produzindo. Uma vez que as revistas americanas dependem do olhar aprovador de anunciantes a fim de existir, e o gênero de artigos que os editores da Oppositions queriam publicar eram inaceitáveis para os clientes de uma revista comum, o patrocínio dos quatro primeiros números vieram principalmente de contribuições de particulares. Recentemente, no entanto, a Oppositions encontrou uma nova editora, a MIT Press, que talvez induzirá o público estadunidense a lê-la tanto quanto já fazem os europeus - mas a que preço com relação aos seus compromissos ideológicos?" [p. XXXIX]
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"A further indication of its relatively isolated character is the magazine Oppositions, A Journal for Ideas and Criticism in Architecture, which the IAUS launched in 1973 under the joint editorship of Eisenman, Frampton, and Argentine Mario Gandelsonas. Unique of its type in the American architectural field, it represents the antithesis to the professional press exemplified in Architectural Record, Progressive Architecture, and formerly by Peter Blake's Forum, and then Plus. The editors, particularly Frampton, with his many years of experience as an editor and contributor of Architectural Design (London) and his well-defined ideological position developed in numerous articles (see his editorial in Oppositions 4), have attempted to elevate the discourse above a simple uncritical presentation of the building industry has produced. Because American reviews depend upon the approving eye of advertisers in order to exist, and the genre of articles which the editors of Oppositions wished to publish were unacceptable to the ordinary magazine's clients, sponsorship of the first four issues came primarily from contributions by private individuals. Recently, however, Oppositions has found a new publisher, the M.I.T. Press, who will perhaps induce the American public to read it as widely as the Europeans do at present - but at what price to its ideological commitments?"
TAYLOR, Brian Brace. Self-service skyline. L'Architecture d'Aujourd'Hui, Paris, n. 186, p. XXXVIII-XXXIX; 42-46, ago./set. 1976, grifos do autor, tradução nossa.
"De todas as seções, a de teoria é a mais significativa e talvez seja a contribuição mais influente do periódico para uma cena arquitetônica americana ainda não muito consciente, no início dos anos setenta, das muitas correntes dominantes no discurso europeu contemporâneo: primeiro, uma crítica ideológica da arquitetura fortemente influenciada por uma crítica pós-marxista ou uma crítica de cultura da Escola de Frankfurt e seu legado do pensamento negativo; segundo, um modo de análise linguística que emana da escola estruturalista francesa; e terceiro, uma abordagem historiográfica que enfatiza temas institucionais e tipológicos." [p. 192]
"No começo e em meados dos anos setenta, Nova York constitui de fato um ambiente cultural rarefeito e tenso. O discurso arquitetônico cada vez mais pluralizado e fragmentado - cisma entre modernismo e o pós-modernismo, este último seduzido e ao mesmo tempo desconfiado do seu homólogo europeu mais sofisticado do ponto de vista teórico, ambivalente com relação ao seu próprio americanismo - não produziu um relaxamento crítico ou uma celebração da multiplicidade para seu próprio bem, como foi o caso durante um curto período, mas sim um sentimento de crise e de confrontação, representado pela formação de facções rivais como os ‘cinzentos' e os ‘brancos', os ‘inclusivistas' e os ‘exclusivistas', os neorrealistas e neorracionalistas. [...]" [p. 198]
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"Of the other categories, that of theory is most significant, and probably represents the journal's most influential contribution to an American architectural scene not yet very conscious in the early seventies of several major currents of contemporary European discourse: first an ideological critique of architecture strongly influenced by a post-Marxist or Frankfurt school critique of culture and its legacy of negative thought; second, a mode of linguistic analysis emanating from French structuralist school; and third, a historiographic approach emphasizing institutional and typological themes. [...]" [p. 192]
"New York in the early and mid-seventies did indeed constitute a rarefied and tense cultural ambiance. The increasingly pluralized and fragmented architectural discourse - split between modernism and postmodernism, seduced by and suspicious of its more theoretically sophisticated European counterpart, ambivalent toward its own Americanism - made not for a critical slackness or celebration of multiplicity for its own sake, as would be the case in a very short while, but rather for a sense of crisis and confrontation, as dramatized by the formation of such warring factions as the ‘grays' and ‘whites,' the ‘inclusivists' and the ‘exclusivists,' the neorealists and the neorationalists. [...]" [p. 198]
OCKMAN, Joan. Resurrecting the avant-garde: the history and the program of Oppositions. In: COLOMINA, Beatriz (Ed.). Architectureproduction. Nova York: Princeton Architectural Press. p. 180-199, tradução nossa.
"[...] Em muitos aspectos, Oppositions, a revista do Institute for Architecture and Urban Studies em Nova York, de 1973 a 1984, mostra-se como o lugar em que tal crítica [ao Modernismo] poderia ser encontrada. Oppositions foi uma revista declaradamente crítica que se definia em termos de sua relação de confronto não apenas com o discurso arquitetônico existente, mas também com a longa trajetória do Alto Modernismo e até mesmo com afirmações mais recentes, como a de Venturi, e que pretendia, assim, reposicionar a arquitetura. Além disso, a revista articulava explicitamente estes discursos e práticas mais tradicionais com as relações sociais existentes que as sustentam e eram reforçados por eles. [...] " [p. 54]
"Independentemente de suas pretensões, a arquitetura sempre servirá a uma função, para determinado indivíduo, e isto dar-se-á no contexto existente de lutas sociais entre classes, raças, gêneros e outros grupos sociais pelo controle do espaço social e pelo direito de fazer uso dele. No fim das contas, existe uma pergunta muito simples - Quem sai lucrando? - que toda essa retórica de vanguarda em Oppositions nunca pareceu disposta em fazer." [p. 75]
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"[...] In many ways, Oppositions, the house organ of the Institute for Architecture and Urban Studies in New York from 1973 to 1984, would appear to be the place in which such criticism could be found. Oppositions was an avowedly critical journal that defined itself in terms of its adversarial relationship not only to existing architectural discourse, but also to the larger trajectory of high modernism, and even to those more recent statements like Venturi's - pretending to ground architecture anew. Further, the journal explicitly linked these more traditional discourses and practices to the existing social relations supporting them, and reinforced by them. [...]" [p. 54]
"[...] Whatever its pretensions otherwise , architecture will always serve some function, for someone, and will do so in the context of already existing social struggles among classes, races, genders, and other social groupings over the control of social space and the right to make use of it. It is in the end a rather simple question - who benefits? - that all the avant-garde rhetoric in Oppositions never seemed willing to ask." [p. 75]
PECORA, Vincent P.. Towers of Babel. In: GHIRARDO, Diane (Ed.). Out of site: a social criticism of architecture. Seattle: Bay Press, 1991. p. 46-76, grifos do autor, tradução nossa.
"A institucionalização da teoria arquitetônica se evidencia na fundação de dois centros de estudos independentes em Nova York (1967-85) e Veneza (1968-), ambos responsáveis por intensa atividade editorial. Com uma missão semelhante à AA - London Architectural Association, fundada em 1847, o cosmopolita IAUS - Institute for Architecture and Urban Studies, de Manhattan, organizou cursos, palestras, simpósios, mesas redondas e exposições. Tal como a AA e o Instituto de Veneza, o IAUS foi criado por uma comissão de arquitetos (presidida por Peter Eisenman) contrários ao sistema vigente de ensino de arquitetura, que na Inglaterra e na Itália é estatal. O IAUS publicou um boletim informativo, Skyline, duas revistas, Oppositions e October, e uma série de livros com o selo da Oppositions. Fez parte dessa série de vida curta a influente tradução para o inglês de L'Architettura della città, de Aldo Rossi em 1982 (o original italiano data de 1966). A forte ênfase do Instituto no discurso e disseminação da teoria foi típica do período pós-moderno. (O CIAU - Chicago Institute for Architecture and Urbanism [Instituto de Arquitetura e Urbanismo de Chicago] ressuscitou o modelo do IAUS, entre 1987 e 1994, quando as fontes de financiamento minguaram.) Uma das contribuições mais importantes do IAUS foi ter apresentado ao público norte-americano arquitetos e teóricos europeus, muitos dos quais influenciados por paradigmas linguísticos. Apesar de o IAUS não ter nenhuma ligação oficial com o Instituo de Veneza, pode-se dizer que as duas organizações tinham muitas questões em comum." [p. 23-24]
NESBITT, Kate. Introdução. In: NESBITT, Kate (Org.). Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica 1965-1995. 2. ed. São Paulo: Cosac Naify, 2008, p. 15-87, grifos da autora.
"[...] Começando como uma ramificação do departamento de design do MoMA, o IAUS logo se tornou uma entidade autônoma cuja missão evoluiu continuamente. O objetivo norteador do IAUS era estimular o debate em torno da arquitetura e ele era bastante ecumênico, incluindo arquitetos e historiadores de todos os matizes em seu Conselho de Diretores. Sua revista Oppositions (voltada para o Alto Modernismo e o discurso arquitetônico) tinha uma tendência mais estritamente modernista/ racionalista [...]. O IAUS ofereceu o principal canal através do qual as ideias dos neorracionalistas europeus chegaram à América do Norte, traduzindo suas obras para o inglês, assim como hospedando-os em longas visitas. Dois significativos projetos de pesquisa desenvolvidos no IAUS, com influência do pensamento neorracionalista e voltado para a escala urbana, incluem uma investigação sobre as ruas e um estudo de habitação com baixo gabarito e alta densidade, que gerou um protótipo construído no Bronx [sic] [*]. [...]."
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"[...] Initially an offshoot of the MoMA's design department, the IAUS quickly became an entity unto itself whose mission continually evolved. The guiding purpose of the IAUS was to stimulate debate around architecture and it was largely ecumenical, including architects and historians of all stripes on its Board of Directors. Its journal Oppositions (to high modernism and architectural discourse) had a more strictly modernist/ rationalist tendency [...]. The IAUS provided the main conduit though which the ideas of the European neo-rationalists came to North America, by translating their works into English as well as by hosting them for extended visits. Two significant research projects undertaken at the IAUS which bore imprints of neorationalist thought and addressed urban scale included an inquiry into streets and a study of low-rise high-density housing, which produced a prototype built in the Bronx [sic]. [...]."
[*] N.C.: A autora está se referindo aos projetos desenvolvidos por membros do IAUS e apresentados na exposição "Another Chance for Housing" (1973). Note-se, no entanto, que o protótipo construído - Marcus Garvey Village Park (1976) - está localizado no Brooklyn, e não no Bronx.
ELLIN, Nan. Postmodern urbanism. Cambridge; Oxford: Blackwell, 1996, grifo da autora, tradução nossa.
"‘É natural que nossas respectivas preocupações individuais com relação ao discurso formal, sócio-cultural e político vão se fazer sentir em nossa edição conjunta de Oppositions.' Com isso os três editores-fundadores demarcaram três áreas temáticas principais que, através de seus próprios escritos e de outros colaboradores, seriam apresentadas e debatidas ao longo da história de Oppositions - aquele extraordinário aparato de produção de teoria da arquitetura. Foi aí que a pesquisa de Peter Eisenman com operações formais imanentes e notações, a crítica de Kenneth Frampton das indústrias culturais moderna e contemporânea e a análise ideológica / semiótica de Mario Gandelsonas das práticas contemporâneas - às quais depois se acrescentaram (começando no número 6) os estudos institucionais e tipológicos de Anthony Vidler e (começando no número 12) a historiografia materialista de Kurt Forster - giraram em torno do vórtice do ‘sentido' da arquitetura. No entanto, justamente por conta das associações pessoais dos editores e dos desdobramentos da rede internacional de Oppositions, as páginas da revista também seriam saturadas, conflitadas e assombradas pelas presenças de Colin Rowe e Manfredo Tafuri - Cila e Caríbdis, a luz e a escuridão, o dilema que conduziu, ao menos implicitamente, o discurso de Oppositions." [p. IX]
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"‘Naturally our respective concerns as individuals for formal, socio-cultural and political discourse will make themselves felt in our joint editing of Oppositions.' Thus did the three funding editors stake out three primary thematic domains that, through their own writings and those of other contributors, would be presented and debated throughout the history of Oppositions - that extraordinary apparatus for the production of architecture theory. Therein Peter Eisenman's research into immanent formal operations and notations, Kenneth Frampton's critique of the modern and contemporary culture industries, and Mario Gandelsonas's ideological/semiotic analysis of contemporary practices - to which would later be added (beginning with volume 6) Anthony Vidler's institutional and typological studies and (beginning with volume 12) Kurt Forster's materialist historiography - swirled around the vortex of architecture's ‘meaning.' But because of the editors' personal associations and the unfolding of Oppositions's international network, the pages of the journal would also become saturated with, conflicted with, and haunted by the presences of Colin Rowe and Manfredo Tafuri - the rock and the hard place, the light and the dark, between which Oppositions's discourse, at least implicitly, was often conducted."
HAYS, K. Michael. The oppositions of autonomy and history. In: HAYS, K. Michael (Ed.). Oppositions reader: selected readings from A Journal for Ideas and Criticism in Architecture 1973-1984. Nova York: Princeton Architectural Press, 1998. p. IX-XV, grifos do autor, trad. nossa.
"Na arquitetura, o pós-estruturalismo manifesta-se simultaneamente em uma condição de crise permanente, na perda da fé nas grandes interpretações e na dúvida quanto à capacidade da lingüística para explicar a arquitetura. Essa transição do estruturalismo ao pós-estruturalismo no campo da teoria da arquitetura encontra seu reflexo mais fiel na revista Oppositions, fundada em 1973 por Peter Eisenman, Kenneth Frampton, Mario Gandelsonas, Anthony Vidler e Colin Rowe, e editada pelo Institute for Architectural [sic] and Urban Studies (IAUS), de Nova York. Ali se reúnem textos de membros da Terceira Geração (como Alison e Peter Smithson, Jerzy Soltan, Oriol Bohigas), de autores que mantêm a confiança no estruturalismo ou que se filiam a sistemas de pensamento anteriores ou paralelos (como Adorno, Norberg-Schulz, Rowe, Colquhoun, Scully, Ungers, Vidler, Rossi, Tafuri, Venturi, Moneo), bem como de protagonistas da abertura às interpretações pós-estruturalistas (como Derrida, Eisenman, Hejduk, Libeskind, Agrest, Gandelsonas). O objetivo de Oppositions era aproximar a história e teoria da arquitetura e da filosofia à crítica da arquitetura, em busca de fundamentar novos parâmetros interpretativos. Oppositions, que se situava nessa zona de transição para uma radical transformação do pensamento, deixou de ser publicada em 1981 [sic] e, em alguma medida, seu lugar na vanguarda das revistas estadunidenses de teoria da arquitetura foi ocupado por Assemblage - fundada e dirigida de 1986 a 1990 por Michael Hays, com a colaboração de Beatriz Colomina, Catherine lngraham, Linda Pollak, Mark Rakatanski, Alicia Kennedy e Mark Wigley - e por ANY - criada e promovida por Peter Eisenman em 1993, e em circulação até 2000." [p. 126-127]
MONTANER, Josep Maria. Arquitetura e crítica. 2. ed. Barcelona: Gustavo Gili, 2007, grifos do autor.
"A criticalidade de [Michael] Hays e [Peter] Eisenman conserva a estrutura dialética ou contraditória na obra de seus mentores e predecessores, e ao mesmo tempo procura destruir ou anular seus termos. Nas várias tentativas de criar um híbrido de Rowe e Tafuri para formar uma posição crítica, tanto Hays como Eisenman se baseiam na dialética - como fica evidente nos títulos dos periódicos que cada um deles fundou: Oppositions e Assemblage. Apesar de suas críticas implícitas à estética de Michael Fried, no fundo Eisenman e Hays temem o literalismo tanto quanto Fried; ambos fazem uma advertência contra o remapeamento isomórfico da vida e da arte. Para eles, a disciplinaridade é entendida como autonomia (permitindo a crítica, a representação e a significação), mas não como instrumentalidade (projeção, capacidade de desempenho e pragmática). [...]" [p. 146-147]
SOMOL, Robert; WHITING, Sarah. Notas sobre o Efeito Doppler e outros estados de espírito do modernismo. In: SYKES, Krista (Org.). O campo ampliado da arquitetura: antologia teórica, 1993-2009. São Paulo: Cosac Naify, 2013. p. 144-155, grifos dos autores.
"A despeito, porém, desse impasse, não puramente italiano, entre a crítica operativa, tal como conceituada por Zevi, e a história crítica praticada em Veneza, mais recentemente percebeu-se o quanto o projeto tafuriano deve a uma matriz operativa diretamente relacionada à pesquisa aplicada do arquiteto em seus anos de ingresso na profissão, atuando em equipes de intervenção em sítios históricos. Mais do que isto, o exame contemporâneo de sua obra de maturidade vem destacando uma perspectiva menos dualista das relações entre crítica e prática, focalizando os deslizamentos temporais que informam as passagens entre o exame da produção contemporânea e o investimento intelectual, tão mal assimilado pelos arquitetos, nas análises do Renascimento e do Barroco.
É importante observar que o embate entre a criticalidade e operatividade emerge em um contexto no qual a tendência a autonomização da história da arquitetura em relação às exigências do projeto se acentua. De fato, desde os anos 1970, a criação de um nova geração de revistas de acento mais ensaístico e crítico, como Archithese (1971), Contropiano (1971), Oppositions (1973), Architecture Mouvement Continuite (1974), Architecturas bis (1974) entre outras; a renovação de plataformas editoriais de periódicos profissionais estabelecidos como L'Architecture d'Aujourd'hui ou Casabella; a sofisticação do ensino de história em cursos de graduação, de Veneza a Moscou; ou a criação de programas de doutorado em arquitetura, de Princeton a São Paulo; a formação de equipes e laboratórios de pesquisa em toda parte; a multiplicação de estudos monográficos rigorosos, com fontes e bibliografias mais amarradas parecem ter estimulado uma onda mundial de especialização em história da arquitetura." [p. 250]
LIRA, José Tavares Correia de. Arquitetura, historiografia e crítica operativa nos anos 1960. In: SEGRE, Roberto et al (Org.). Arquitetura+arte+cidade: um debate internacional. Rio de Janeiro: Viana & Mosley, 2010. p. 237-255, grifos do autor.
"A década de 60 testemunhou o surgimento do que é compreendido como 'teoria' arquitetural. Revistas como Oppositions, Arquitecturas bis, Lotus, etc. [...] lançaram um discurso totalmente novo. Elas cultivavam uma autoconsciência geral filosófica e histórica. Estas revistas muitas vezes usavam como modelo para si mesmas a imagem das revistas do avant-garde dos anos 20 e 30, dando ao teórico contemporâneo o status de artista radical. Eisenman, por exemplo, alega ter começado a Oppositions porque achava que o avant-garde nunca tinha existido nos EUA e que uma revista seria o veículo necessário para isto. Mas, ironicamente, os jornais avant-garde eram, na verdade, um novo tipo de jornal de história/teoria. A teoria era o novo avant-garde nos EUA." [p. 99]
COLOMINA, Beatriz. Revistas underground da arquitetura radical. In: SEGRE, Roberto et al (Org.). Arquitetura+arte+cidade: um debate internacional. Rio de Janeiro: Viana & Mosley, 2010. p. 89-100, grifos da autora.
"BC: Mas voltando à Oppositions. Qual era sua ambição?
PE: Honestamente, o meu modelo, tendo acabado de chegar da Inglaterra, era o Team 10. O Team 10 me parecia estar superando os CIAM [Congrès internacionaux d'architecture moderne (Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna)]. Eles eram o novo grupo. Quando cheguei em Princeton, a primeira coisa que eu queria fazer era organizar um grupo igual ao Team 10. Daí o CASE, o novo Team 10. Era essa a ambição."
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"BC: But returning to Oppositions. What was the ambition?
PE: My model, honestly, having come from England was Team 10. Team 10 seemed to be taking over from CIAM [Congrès internacionaux d'architecture moderne (International Congresses of Modern Architecture)]. They were the new group. When I got to Princeton the first thing I wanted to do was to set up a Team 10-like group. That is what CASE was, the new Team 10. That was the ambition."
EISENMAN, Peter; COLOMINA, Beatriz; GRAU, Urtzi. Interview with Peter Eisenman; Oppositions editor, 1973-82. In: COLOMINA, Beatriz; BUCKLEY, Craig (Ed.). Clip Stamp Fold: the radical architecture of little magazines, 196X to 197X. Barcelona: Actar, 2010. p. 261-264, grifo dos autores, trad. nossa.
"O tema da autonomia esteve nas pautas centrais dos círculos mais consolidados da crítica arquitetônica a partir da década de 60, e estruturou-se segundo dois polos diferenciáveis situados respectivamente na Europa e nos EUA. Por um lado, se destaca a corrente neorracionalista surgida na Itália a partir dos escritos de Ernesto Nathan Rogers e dos colaboradores da revista Casabella. Um grupo autodenominado Tendenza, que reunia Aldo Rossi, Vittorio Gregotti, Giorgio Grassi, entre outros. Nos Estados Unidos, destaca-se o trabalho dos profissionais que formavam o IAUS - Institute for Architecture and Urban Studies - um círculo da crítica americana que reunia Peter Eisenman, Kenneth Frampton, Mario Gandelsonas, Anthony Vidler e Kurt Foster, cujas ideias eram difundidas na revista Oppositions, da qual eram editores. Esta publicação teve seu ‘porta-voz' europeu na revista espanhola ArquitecturasBis e nas edições da Lotus destes anos, com as quais estabeleceu um intenso intercâmbio de ideias.
A revista Oppositions contou com a colaboração frequente de Colin Rowe e Manfredo Tafuri, cujas contribuições foram cruciais para a formação dos debates destes anos. O estruturalismo formalista de Rowe e a História Crítica de Tafuri trazem para o terreno da arquitetura uma transposição do pensamento estruturalista, promovendo um esvaziamento gradual do conteúdo ideológico e mistificador das mensagens da arquitetura, mais especificamente aquela do Movimento Moderno." [p. 39-40]
BRONSTEIN, Laís. Sobre a crítica ao movimento moderno. In: LASSANCE, Guilherme et. al. (Org.). Leituras em teoria da arquitetura, 2: textos. Rio de Janeiro: Viana & Mosley: FAPERJ, 2010. p. 32-51, grifos da autora. (Coleção PROARQ).
"Além do retorno a princípios modernos de projeto e da fuga para comunidades alternativas longe das cidades, os movimentos estadunidenses e sociais de 1968 deram ensejo a estratégias que pouco tinham a ver com edificações, centradas mais nos processos decisórios e, acima de tudo, na questão da urbanidade. A busca de uma resposta para a crise global nas disciplinas do projeto que então afetava a Europa, a América do Norte e o Japão estabeleceu novas alianças entre arquitetos, ativistas e intelectuais. Dentre seus resultados nas universidades e no mundo político e cultural figura a publicação de revistas de crítica - como a nova-iorquina Oppositions, a parisiense Architecture, Mouvement, Continuité e a italiana Contropiano - e de séries de livros, como Pamphlet Architecture, inicialmente editada em San Francisco. Um novo pensamento intelectual estava se constituindo e seria difundido na década de 1970."
COHEN, Jean-Louis. O futuro da arquitetura desde 1889: uma história mundial. São Paulo: Cosac Naify, 2013, grifos do autor.
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