Capa da edição n. 21 do periódico Architectural Monographs (1992), dedicado às obras e pensamento de Robert Venturi e Denise Scott Brown sobre habitação. Nesta ocasião foi publicado o programa do ateliê de estudos "Learning from Levittown" (1970), assim como parte do material apresentado na exposição "Signs of Life" (1976).
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O principal resultado da pesquisa veio com a exposição "Signs of Life: Symbols in the American City", realizada em 1976 na Renwick Gallery da National Collection of Fine Arts, em Washington D. C., como parte das comemorações do Bicentenário da Independência dos Estados Unidos e realizada com o apoio da Smithsonian Institution. A exposição estava dividida, resumidamente, em três partes: na primeira foram criadas instalações com a simulação de três lares típicos americanos da época (casa suburbana, casa geminada urbana e casa "colonial"); em seguida encontravam-se uma profusão de letreiros e sinais voltados para a comunicação na estrada, simulando uma strip comercial; ao final, ilustrava-se como a questão do simbolismo em arquitetura se apresentava na cidade estadunidense ainda no século XIX.
Tinha-se em vista a publicação de um livro, assim como aconteceu com o caso de Las Vegas, mas que não chegou a acontecer por problemas com os editores, pouca aceitação da comunidade arquitetônica e pelas exigências de trabalho no escritório. Um ano antes da exposição propriamente dita, que contou com um catálogo, parte das reflexões foi publicada na edição n. 9 da revista italiana Lotus International (fev. 1975), num texto escrito por Virginia Carroll (uma das participantes da pesquisa), Scott Brown e Venturi. Somente em 1992 o material foi retomado de maneira mais sistemática, com a edição n. 21 do periódico Architectural Monographs, onde foi publicado o programa da pesquisa "Aprendendo com Levittown" e um dos textos que faziam parte do catálogo da exposição ("The Home", escrito por Venturi, Steven Izenour e Scott Brown), junto a projetos, textos e comentários de Venturi e Scott Brown atualizando o debate sobre habitação.
Venturi, Scott Brown and Associates:
"A exposição chamou bastante atenção - tanto do ponto de vista popular quanto da crítica - e foi uma das exposições de maior sucesso da Renwick Gallery. Signs of Life foi baseada no projeto de pesquisa ‘Aprendendo com Las Vegas', conduzido pela VSBA na Universidade de Yale em 1968, e em nossa pesquisa e análises mais amplas das cidades estadunidenses. Assim como nos livros anteriores Complexidade e Contradição, de Robert Venturi, e Aprendendo com Las Vegas, de Robert Venturi, Denise Scott Brown e Steven Izenour, Signs of Life promoveu uma grande reavaliação pública e profissional sobre a importância da diversidade e do vernáculo em nossas vidas e do modo como percebemos nosso ambiente."
VENTURI, SCOTT BROWN AND ASSOCIATES. Signs of Life: Symbols in the American City, Exhibition. S.l., S.d.. Trad. livre: Leandro Cruz. Disponível em <http://venturiscottbrown.org/>. Acesso em 25 mai. 2014.
Robert Venturi, Denise Scott Brown e Steven Izenour, 1977:
"Desde a publicação deste livro [Aprendendo com Las Vegas (1972)], nossas idéias sobre simbolismo na arquitetura desenvolveram-se por meio dos mais variados projetos. O ateliê de arquitetura de Yale que deu origem a Aprendendo com Las Vegas foi seguido, no ano seguinte, por um estudo do simbolismo arquitetônico dos subúrbios residenciais intitulado ‘Moradia curativa para arquitetos, ou Aprendendo com Levittown'. Esse material faz parte de ‘Sinais de vida: símbolos na cidade americana', uma exposição do Bicentenário que planejamos para a Coleção Nacional de Belas-Artes da Smithsonian Institution na Renwick Gallery. Na mesma linha, um artigo, ‘Símbolos, signos e estética: gosto arquitetônico numa sociedade pluralista' faz comentários sobre a relação dos arquitetos com as diferentes culturas de gosto de nossa sociedade; e outro, ‘Arquitetura como abrigo com decoração', amplifica nossas teorias sobre simbolismo."
VENTURI, Robert; SCOTT BROWN, Denise; IZENOUR, Steven. Aprendendo com Las Vegas: o simbolismo (esquecido) da forma arquitetônica. São Paulo: Cosac Naify, 2003. Grifo original.
"Venturi, Scott Brown e sua equipe ajudam a chamar atenção para esta vasta área do simbolismo e realizaram uma exposição - ‘Signs of Life: Symbols in the American City' - onde apresentaram algumas das imagens que compõem uma linguagem popular. Sempre que possível eles incorporam esses sinais em seus projetos, geralmente de forma irônica e esotérica. Embora muitos críticos deplorem sua obra como desnecessariamente banal, ou feia, ou condescendente (ou seja, tudo menos popular) esta abordagem inexpressiva não é necessariamente uma coisa ruim. Afinal de contas, um arquiteto pode usar uma linguagem sem passar as mensagens mais óbvias; e se ele quer significar ‘o feio e banal' com esta linguagem, ele tem todo direito de fazê-lo. Os Venturis justificam sua abordagem como crítica social: eles querem expressar, de maneira suave, uma apreciação incerta pelo American Way of Life. Um respeito relutante, sem total aceitação. Eles não compartilham de todos os valores de uma sociedade de consumo, mas querem se comunicar com esta sociedade, ainda que discordem dela em parte. Ademais, como a sensibilidade deles é completamente modernista, com uma formação na língua de Le Corbusier e de Louis Kahn, eles não podem usar sinais populares de modo descontraído e exuberante - não no mesmo nível dos artistas de letreiros de Las Vegas que eles admiram. Mas como seria possível? Levam-se anos, até mesmo uma geração, para se dominar o uso inconsciente e consciente de uma nova linguagem, de modo que estes arquitetos são, para usar uma frase emprestada dos futuristas, ‘os primitivos de uma nova sensibilidade'."
JENCKS, Charles. The language of Post-Modern Architecture. Londres; Nova York: Academy Editions; Rizzoli, 1977. Trad. livre: Leandro Cruz.
"A exposição 'Signs of Life: Symbols in the American City' foi um esforço de levantamento da estética pluralista da cidade estadunidense e de seus subúrbios e, além disso, de entender o que a paisagem urbana significa para as pessoas, através de uma análise dos seus símbolos e das fontes e antecedentes deles. Enfocamos principalmente na strip comercial do século XX e no esparrame suburbano porque nestes ambientes a tradição de usar o simbolismo na arquitetura vem desde a cidade do século XIX, ao passo em que nas áreas controladas mais diretamente por arquitetos a tradição foi interrompida pelo esforço dos arquitetos modernos em erradicar da arquitetura a associação histórica e simbólica e a decoração."
"Outro objetivo da exposição foi sugerir aos urbanistas, arquitetos e planejadores que analisassem sem preconceito as paisagens urbanas de hoje e, especialmente, os sentidos simbólicos que as pessoas investem nelas. Ao fazer isso, os urbanistas aprenderão mais do que eles sabem sobre as necessidades, gostos e preferências das pessoas cujas vidas eles influenciam e, particularmente, sobre os gostos dos grupos cujos valores são diferentes dos seus."
VENTURI, Robert; IZENOUR, Steven; SCOTT BROWN, Denise. The home. In: VENTURI, SCOTT BROWN & ASSOCIATES (Ed.). Venturi, Scott Brown and Associates: on houses and housing. Londres; Nova York: Academy Editions; St. Martin's Press, 1992. p. 58-65. Trad. livre: Leandro Cruz.
"Em nossas vidas acadêmicas e profissionais, desde o começo dos anos 1960, desenvolvemos nossas próprias questões e problemas sobre habitação que levaram a uma auto-reeducação sobre o tema."
"Em 1970, continuamos nosso estudo mais amplo sobre habitação num ateliê de projeto em Yale chamado ‘Habitação Curativa para Arquitetos, ou Aprendendo com Levittown'. Nesta ocasião, avançamos na análise do simbolismo, iniciada em nosso ateliê sobre Las Vegas, levando nossa investigação para o ambiente da casa. Buscávamos descrever os diferentes valores em habitação, incluindo os nossos, colocando-os no contexto mais amplo das culturas do gosto estadunidenses. Estávamos, de certa maneira, produzindo a contrapartida arquitetônica do estudo de [Herbert] Gans sobre Levittown e de suas análises posteriores sobre culturas do gosto. Os programas deste ateliê foram incluídos neste livro, junto às nossas descobertas que fizeram parte de nossa exposição na Smithsonian Institution em 1976, ‘Signs of Life: Symbols in the American City'. Enquanto a exposição demarcava nosso território de simbolismo no lar, o tema do ateliê era mais amplo; ‘Habitação Curativa para Arquitetos' foi uma tentativa de redefinir o que deveria ser a totalidade das preocupações dos arquitetos com os aspectos arquitetônicos de habitação."
"Meu ideal de habitação não é a megaestrutura nem tampouco Seaside. Seaside é uma cidade bonita e é um esforço louvável, mas não pode servir como substituta de uma política de habitação. Os arquitetos precisam perceber que muitas formas de habitação devem estar disponíveis em uma cidade grande e complexa. [...]"
SCOTT BROWN, Denise. On houses and housing. In: VENTURI, SCOTT BROWN & ASSOCIATES (Ed.). Venturi, Scott Brown and Associates: on houses and housing. Londres; Nova York: Academy Editions; St. Martin's Press, 1992. p. 10-13. Trad. livre: Leandro Cruz.
"Com sua defesa da cultura consumista, Denise Scott Brown (uma dos herdeiros ambivalentes dos Smithsons) e Robert Venturi rompem de maneira ainda mais decisiva com o dogma modernista. Em suas publicações, exposições e atividades de ensino na década de 1970 (com destaque para Aprendendo com Las Vegas e para a exposição Signs of Life na Smithsonian Institution), eles fazem alusão a um mundo negligenciado tanto pela arquitetura moderna quanto pela paisagem heterotópica de Foucault: a rede de supermercados A & P, Levittown, casas móveis, restaurantes fast-food - o ambiente de pessoas comuns de classe média e baixa [...]. Aprendendo com La Vegas apresenta, de fato, uma overdose de motéis de lua-de-mel e cassinos, mas, em contraste com os espaços heterotópicos de Foucault ou com os exemplos do estranhamente familiar de Anthony Vidler, esta paisagem não é privilegiada pela sua diferença ou estranheza, ela é entendida como parte do continuum da existência cotidiana. Assim como o Independent Group, Scott Brown e Venturi garantem ao mundo das mulheres, crianças e idosos - a cultura doméstica - um lugar na cultura estética. [...]"
McLEOD, Mary. Everyday and "Other" Spaces. In: COLEMAN, Debra; DANZE, Elisabeth; HENDERSON, Carol (Ed.). Architecture and feminism. Nova York: Princeton Architectural Press, 1996. p. 1-37. Grifos originais. Trad. livre: Leandro Cruz.
"Quando Robert Venturi e eu nos conhecemos em 1960, compartilhávamos um interesse pelo Maneirismo e ele logo começou a entender o meu fascínio pela cultura popular e pela paisagem urbana cotidiana. Víamos com entusiasmo como os artistas pop estadunidenses começaram a colocar o ‘lixo' em um contexto novo - por exemplo, colocando uma lata de sopa Campbell em um museu. Os artistas pop descobriram novos ‘objetos encontrados'. Artistas modernos do começo do século XX tiveram seus objets trouvés. Henry Moore deu atenção para a escultura primitiva e para objetos da natureza, como pedras desgastadas pela água, enquanto os primeiros arquitetos modernos vasculharam na indústria, encontrando formas cubistas, que os deixavam intrigados, em seus silos e chaminés. Bob e eu, depois de termos sidos ensinados pelos modernistas a olhar e a aprender com lugares inusitados, encontramos nossas fontes na história e na cidade cotidiana, com alguma ajuda dos Brutalistas, dos artistas pop e de alguns pensadores sociais. Muito de nossa inspiração vem dos ambientes comuns, tanto comerciais como residenciais, do esparrame suburbano. Seus arquétipos - a Las Vegas Strip e Levittown - foram os nossos novos objetos encontrados."
SCOTT BROWN, Denise. The art in waste / El arte en desecho. In: BASURAMA. Distorsiones urbanas / Urban distortions. Madri: La Casa Encendida, 2006. Disponível em <http://www.basurama.org/>. Acesso em 25 mai. 2014.
"No final das contas, portanto, o problema da representação é o mesmo para Rossi e Venturi, embora eles o resolvam maneiras diferentes e até mesmo opostas. [...] Venturi e Scott Brown muitas vezes vão se referir à ‘vida' autêntica da esfera da mercadoria que [Peter] Blake tinha representado como um ferro-velho [junkyard], a exemplo da exposição ‘Signs of Life', organizada por eles em 1976, que foi dedicada aos protocolos comunicativos da domesticidade suburbana. De qualquer maneira, para a chamada arquitetura pós-moderna, o problema da representação, longe de ser um referendo sobre significado cultural decidido ambiguamente dissolvendo-se as fronteiras entre alta cultura e gosto popular, era uma questão de vida ou morte. Que esta questão não era meramente simbólica torna-se ainda mais claro quando essas representações são reinseridas no circuito produtivo do capital."
MARTIN, Reinhold. Utopia's ghost: architecture and Postmodernism, again. Minneapolis; Londres: University of Minnesota Press, 2010. Trad. livre: Leandro Cruz.
"Nos Estados Unidos, a difusão do discurso pós-moderno deu visibilidade imediata a praticantes medíocres de um neoclassicismo literal. E também consolidou a posição de Robert Venturi e Denise Scott Brown, os primeiros a jogar com estereótipos populares e antecedentes históricos, mas cujos objetivos eram mais refinados. [...] Com a exposição Signs of Life (1976), apresentada na Renwick Gallery da Smithsonian Institute, em Washington D. C., eles propuseram uma crítica extremada da semântica das casas dos subúrbios americanos, manipulando com um sentido de exagero perfeitamente lúcido os seus símbolos e ornamentos clássicos. E apontaram ‘uma discrepância radical entre as necessidades, gostos e preferências dos profissionais - os urbanistas, arquitetos, planejadores e os tomadores de decisões cujas políticas eles informam - e as pessoas cujas vidas eles influenciam'. [...]"
COHEN, Jean-Louis. O futuro da arquitetura desde 1899: uma história mundial. São Paulo: Cosac Naify, 2013. Grifo original.
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